Em cada corpo a corpo se procura
o espírito das águas onde a alma
por vezes paira sobre a face obscura
e só depois do fim se encontra a calma
essa calma tristíssima de quem
volta a si de repente e sabe então
que enquanto um se esvai e outro se vem
ninguém é de ninguém ó solidão.
Suprema solidão que vem depois
de findo o corpo a corpo sobre a cama
quando nunca se é um mas sempre dois
e só um cigarro triste ainda é chama
e um último pudor puxa os lençóis
e a cinza cobre o amor que já não ama.
Manuel Alegre, Sete Sonetos e um Quarto
Aqui fica o meu muito obrigado a uma pessoa muito especial que me ofereceu este livro magnífico como prenda de Natal, uma prenda com muito, muito significado para mim. Obrigado, L. querida!